“Celulite” (LDG)

CELULITE

VISÃO GERAL

A popular “celulite”, na verdade, denomina-se “lipodistrofia ginóide” ou “fibroedema gelóide” e apresenta-se, em diferentes graus clínicos. Nessa disfunção, o relevo cutâneo mostra-se alterado em forma de “depressões” intercaladas com “evaginações” (isto é, projeções para fora), em aspecto semelhante à casca de laranja ou ‘capitoné’ / acolchoado. 

É uma condição multifatorial, majoritariamente (mas não exclusiva) do sexo feminino e cuja etiologia (origem) pode envolver: genética e histórico familiar, fatores hormonais femininos (estrógenos), uso de medicamentos corticoesteróides, antitireoideanos, anti-histamínicos e beta-bloqueadores. Quanto ao estilo de vida, também acentuam o aparecimento desta inconveniente disfunção estética os seguintes aspectos: sedentarismo, sobrepeso, dieta inadequada, dificuldades de circulação venosa, uso de roupas apertadas, tabagismo e até mesmo a constipação intestinal!

A lipodistrofia ginóide é, na verdade, um círculo vicioso de alterações que se retro-alimentam positivamente e que, didaticamente, seguem as seguintes etapas:

Etapas:

A matriz extracelular intersticial sofre, inicialmente, alterações bioquímicas e hiperpolimerização dos mucopolissacarídeos e proteoglicanos, moléculas constituintes naturais do tecido conjuntivo dérmico e subcutâneo.

Ocorre aumento de viscosidade da matriz extracelular dérmica, conjunto do aumento da pressão oncótica ou coloidal (exercida pelas proteínas), o que favorece o extravazamento ou retenção de líquidos para fora dos vasos sanguíneos, isto é, no espaço extracelular; o que explica, em partes, o inchaço (edema).

Temos prejuízo da funcionalidade dérmica, a camada mais profunda da pele onde estão localizadas estruturas responsáveis pela sensibilidade, nervos, vasos sanguíneos, alguns linfáticos e outras estruturas anexas (como glândulas sudoríparas e sebáceas). Na etiofisiopatologia da “celulite”, o principal prejuízo funcional diz respeito à grande dificuldade de se manter uma adequada microcirculação sanguínea, drenagem linfática e a não compressão de estruturas nervosas sensitivas (responsáveis pela origem da dor em graus avançados da Lipodistrofia ginóide)

Devido ao prejuízo microcirculatório, principalmente venoso, ocorre consequente incremento do inchaço (edema) já iniciado anteriormente, agora devido à compressão dos pequenos vasos exercida pelo edema pré-existente e pelo aumento da viscosidade dérmica, condições que muitas vezes se retro-alimentam (círculo vicioso).

A célula de gordura subcutânea aumenta a produção de lipídeos (gorduras) e o armazenamento destas moléculas de triglicerídeos em seu citoplasma, com consequente aumento do volume celular (hipertrofia adipocitária). Essa condição é muitas vezes intensificada pelo sedentarismo do paciente e dietas inadequadas (hiperglicêmicas e/ou hipercalóricas), bem como pela própria diminuição da irrigação sanguínea já instalada – fator esse que predispõe a dificuldades nas trocas metabólicas entre o adipócito e o meio fora da célula (extracelular).

Ocorre maior prejuízo à drenagem linfática com subsequente acidificação e “gelificação” do edema (isto é: formação de edema  -inchaço – viscoso, com toxinas, ligeiramente ácido e de consistência semelhante a um gel).

Tem-se retração ou tensionamento das trabéculas(ou septos) interlobulares, que são estruturas fibrosas da hipoderme (subcutâneo) de ancoragem entre o tecido conjuntivo acima (derme) e a fáscia profunda logo abaixo (SMAS – sistema músculo aponeurótico superficial). Com isso, porções de adipócitos subcutâneos ficam isoladas e comprimidas entre as trabéculas verticais e, dado o fato que aqueles encontram-se hipertrofiados, ocorre elevação/evaginação da superíficie cutânea (projeção para fora) e ainda maior compressão dérmica e de suas estruturas (vasos e terminações nervosas). Dessa forma, a celulite, na verdade, não são os “furinhos” (depressões do relevo cutâneo), que correspondem às trabéculas naturais; mas sim são os espaços entre eles, geralmente elevados em projeção e em nódulos.

Persistindo a condição, o edema em gel endurece, ou seja, esclerosa, com eventuais pontos de fibrose (processo de deposição de fibras colágenas em local do tecido que antes era funcional, semelhante ao processo que dá origem à cicatriz) – daí o nome alternativo para “celulite” de fibroedema gelóide – .

Nesse estágio avançado, a pele encontra-se com nódulos, fria, com uma inflamação crônica e muito dolorida, sendo indicado até mesmo técnicas cirúrgicas para seu tratamento. Cirurgias essas feitas apenas por Médicos.

Outra diferença importante é na arquitetura das trabéculas subcutâneas de homens e mulheres: Nas mulheres, os septos são verticais e paralelos, favorecendo a retração dos mesmos e o aparecimento na superfície de depressões. Nos homens, por sua vez, as trabéculas são cruzadas de forma oblíqua, em rede, dificultando a formação e visualização de pontos de retração intercalados com projeção da pele.

Os graus (estágios) da celulite são DETERMINANTES para a indicação correta do tratamento; e são eles:

 GRAU 1: Irregularidade no relevo cutâneo não visível ao repouso, apenas pela compressão com os dedos (pinçamento) ou pela contração ativa dos músculos do paciente. A partir do grau 1, há gradual resfriamento da pele, perda de elasticidade e ganho de palidez cutânea.

 

GRAU 2: As alterações do relevo são visíveis mesmo ao repouso; não existe dor associada.

 

GRAU 3: idem grau 2, acrescido de nódulos ou aderências fibrosas profundas e dor.