Espinhas e Cravos

ESPINHAS

VISÃO GERAL

A Acne é um problema de pele caracterizado por um conjunto de manifestações, sendo errôneo quando chamamos uma única “espinha” de Acne. Tais manifestações podem ser: cravos (comedões) abertos (pontinhos pretos devido à Melanina e não à poluição ou oxidação, como se pensava no passado) e os cravos/comedões fechados (brancos), bem como as espinhas em si, tão conhecidas. De forma bem genérica, a Acne comedoniana é classificada como não inflamatória. Nas formas inflamatórias, há predomínio de “espinhas”, cursando com vermelhidão local (eritema), inchaço (edema) e, às vezes, dor, pus (pústulas). Em graus mais severos, podemos encontrar nódulos subcutâneos.

Como consequência, além do impacto negativo no psico-social do indivíduo, o quadro pode originar cicatrizes e hipercromias pós-inflamatórias (escurecimento da pele).

 

Como consequência, além do impacto negativo no psico-social do indivíduo, o quadro pode originar cicatrizes e hipercromias pós-inflamatórias (escurecimento da pele).
Trata-se de um distúrbio que atinge ambos os sexos, não só na adolescência (embora a prevalência na idade adulta seja bem menor).

 

Características e Causas

A Acne origina-se, especificamente, de um problema na unidade pilossebácea (estrutura anexa à pele que associa o folículo piloso à glândula sebácea). Células mortas das camadas externas da pele (queratinócitos e corneócitos), a poluição ambiental, os resíduos de secreção sebácea (sebo) podem obstruir (tampar) o ducto que conduziria essa secreção oleosa à superfície, e, dado o fato que as unidades pilossebáceas são naturalmente colonizadas pela bactéria P. acnes (Propionibacterium acnes), o microorganismo anaeróbio em questão também está diretamente envolvido na origem da condição acneica, intensificando a obstrução mecânica, a produção de ácidos graxos livres (devido às suas lipases) e a consequente produção de substâncias (mediadores) pró-inflamatórias.

A resposta de nossas células de defesa a esse agente infeccioso pode originar ainda maior inflamação e dano ao folículo pilossebáceo, bem como o pus. Todavia, não se recomenda “espremer” as pústulas, tanto pelo risco de contaminá-las, como pelo risco de deixar marcas (cicatrizes ou manchas).

Nas regiões mais superficiais dos folículos, ou seja, regiões mais oxigenadas, encontra-se também os Estafilococos, gênero anaeróbico facultativo, em especial a espécie Staphylococcus epidermidis. Uma outra espécie representante, o Staphylococcus aureus, também pode estar presente; geralmente sua presença é mais rara e ocorre devido a traumas prévios nas lesões de pele (arranhaduras, cortes, etc), o que facilita a infecção por S. aureus como uma contaminação secundária (oportunista).

Não se pode definir, com certeza absoluta, qual a causa da Acne, mas sim identificar fatores contribuintes. Sabe-se que há certa tendência hereditária em sua etiologia, sugerindo- se herança autossômica dominante com expressão variável e que controlaria, dentre outros fatores, a queratinização da epiderme, o tamanho e a funcionalidade das glândulas sebáceas, que, na acne, estão todos aumentados.

Quando ocorre extravazamento desse conteúdo inflamatório e/ou purulento da unidade pilossebácea para a derme adjacente (às vezes por compressão da espinha), bactérias, células mortas e sebo intensificam a reação inflamatória local e, no caso da persistência dessa condição, podem surgir nódulos endurecidos formados por granulomas de corpo estranho. Em estágio ainda mais avançado, se não houver tratamento, pode-se observar até mesmo nódulos infectados formando abscessos (acúmulo localizado de pus no tecido, formando uma cavidade com pus delimitada por uma membrana de tecido inflamatório), é a Acne conglobata (antigamente chamada de GRAU IV, que o Biomédico-esteta não trata sozinho, encaminhando o caso para Dermatologista).

Os tratamentos existentes podem ser: tópicos (fármacos de uso externo e local), sistêmicos (via oral) e os cosméticos ou estéticos. Destes três, o Biomédico-esteta está autorizado a utilizar-se dos fármacos de uso tópico e das estratégias estéticas avançadas (peelings, luzes, led’s em comprimentos de onda muito específicos, etc), inclusive variadas outras técnicas para tratamento das cicatrizes e manchas pós-acne, além de intensiva orientação do paciente.

 

CLASSIFICAÇÃO DOS GRAUS DE ACNE:

 

  • Comedoniana
  • Pápulo-pustulosa
  • Nódulo-cística

Cada qual com subtipos de leve, moderada e grave.

 

HORMÔNIOS ENVOLVIDOS

 

Já se sabe que certos hormônios são, reconhecidamente, comedogênicos (ou seja, favorecem o surgimento de Acne); dentre eles: Androgênios (Testosterona, Sulfato de Desidroepiandrosterona e DiidroTestosterona); Corticoesteróides naturais internos (endógenos) e os exógenos (por exemplo, os medicamentos à base de corticóides – sejam tópicos ou sistêmicos -) e a Progesterona (hormônio feminino da gravidez e também muito usado em DIU’s).

Mulheres com flutuação hormonal durante o ciclo menstrual e após a menopausa tendem a apresentar mais Acne, oleosidade na pele, queda de cabelos (alopécia) e, eventualmente, crescimento de pêlos em regiões anatômicas tipicamente masculinas (hirsutismo).

 

OUTRAS CAUSAS (Não clássicas) DE ACNE:

  • Acne por cosméticos (contendo produtos comedogênicos, como óleos, ceras, etc).
  • Acne mecânica (desenvolvida por pacientes com pele já oleosa a partir da oclusão da pele com bonés, toucas de mergulho, etc).
  • Acne fulminante (Forma rara, grave, sem causa definida, de início súbito em adolescentes do sexo masculino, com lesões típicas do estágio conglobada, principalmente em dorso e tórax, acompanhadas de ulcerações, dor e inchaço articular e febre, dentre outros achados clínicos).
  • Acne tropical e estival (Observada após permanência / exposição ao sol, com lesões típicas da Acne principalmente no tronco e nádegas, mas também com nódulos inflamatórios, alguns profundos, que causam abscessos).
  • Acne escoriada (em decorrência do ímpeto emocional neurótico do paciente remover, pela expressão, comedões ou espinhas, tem-se consequente aparecimento de escoriações, manchas e cicatrizes).
  • Acne neonatal (Logo após o nascimento, devido aos níveis de androgênios no recém-nascido).
  • Acne por produtos químicos (óleos minerais, alcatrão, e em geral, compostos da Família 7A – halogênios -, como o Cloro, os Iodetos e Brometos).

 

Não está totalmente comprovado que certos alimentos piorem ou sequer originem o quadro, bem como temos que desmistificar a falácia que a masturbação gera Acne.
Deve-se diferenciar a Acne de outras condições, como: Rosácea, Foliculites, Erupções acneiformes por fármacos, Lúpus miliar disseminado da face e Demodecidose.