Gordura Localizada

GORDURA LOCALIZADA

VISÃO GERAL

A adiposidade localizada provavelmente ainda é a maior queixa daqueles que procuram tratamentos estéticos corporais.

As infelizes “gordurinhas”, muitas vezes resistentes até mesmo às atividades físicas regulares e às dietas, estão com seus dias contados pois, na Biomedicina Estética, o profissional consegue, como nenhum outro, aplicar seus profundos conhecimentos de metabolismo, bioquímica energética e de interpretação de exames laboratoriais previamente trazidos pelo paciente, cuidados esses que propiciam um atendimento diferenciado, personalizado e que desmistifica muitas falácias, como veremos a seguir.

 

No adulto, o tecido gorduroso (adiposo) localiza-se, de modo geral, abaixo da pele. Composto por células já citadas em outras disfunções estéticas (os adipócitos), o tecido constitui não só uma reserva energética de Triglicérides, mas também um verdadeiro tecido secretor de hormônios (tecido endócrino), que, quando em desequilíbrio, promove uma inflamação crônica e generalizada do indivíduo.

 

 

Características e Causas

Vale observar que o tecido adiposo logo abaixo da derme é a Hipoderme e, abaixo dela, temos a fáscia superficialis, que a separa do tecido adiposo mais profundo ou panículo adiposo subcutâneo. Apesar de encarados como sinônimos, as estruturas são distintas histologicamente e metabolicamente. Abaixo do tecido adiposo profundo temos outra fáscia, a verdadeira fáscia muscular, e,abaixo dela, os músculos.

Os adipócitos têm origem a partir do folheto embrionário mesoderme, por isso algumas injeções de enzimas lipolíticas nesse local são chamadas de mesoterapia.

Em geral, dietas ricas em gorduras (lipídeos) poliinsaturados, como os ômegas 3, são mais saudáveis e antiinflamatórias, enquanto dietas com predomínio de ingestão de gorduras saturadas ou ômegas 6 e 9 são mais comuns (ordinárias) e pró-inflamatórias.

Gorduras saturadas, de qualquer origem que seja (animal ou vegetal) favorecem a produção interna de colesterol, bem como as de origem animal e de embutidos (salame, etc) que já possuem o colesterol “pronto”.

Os triglicérides, em contrapartida, encontram-se elevados em indivíduos sedentários, acima do peso e cuja dieta tem predomínio de glicídeos (açúcares, massas, carboidratos); Os triglicerídeos são mais sensíveis à diminuição através dos exercícios físicos do que as frações de Colesterol, que possuem componente genético-individual (idiossincrático) muito mais forte.

Diferentemente da obesidade, a gordura localizada não é doença.

Devido a fatores genéticos e hormonais, a distribuição adiposa difere em homens e mulheres.

Nas mulheres em idade fértil observamos predominantemente o padrão de distribuição de gordura ginóide, que confere silhueta em forma de pêra, acometendo preferencialmente coxas, quadril, culotes e parte interna do braço (subcutânea). Pode-se dizer que essa gordura implica em menor risco de problemas cardiovasculares.

Por outro lado, nos homens (e nas mulheres em menopausa) há predomínio de gordura andróide, isto é, centro-abdominal, que confere o aspecto de maçã e está relacionada à gordura mais profunda (TAP) e àquela vizinha aos órgãos (chamada gordura visceral), possuindo uma associação muito maior com patologias cardiovasculares.

Ocasionalmente, o ganho de peso pode se dar por ganho de massa magra (músculos), o que é absolutamente benéfico e aumenta a taxa de metabolismo basal. Quando o aumento de peso é devido à massa gorda (gordura), a condição pode estar relacionada com alterações hormonais, como o hipotireoidismo, que deve ser investigado e, se confirmado, tratado por Endocrinologista.

Por isso é tão importante se realizar a Bioimpedância (análise da composição corporal), que, por mais grosseira que seja, fornece noções sobre massa óssea, massa muscular, quantidade de água e de gordura no corpo.

As gorduras também possuem seu papel benéfico, como: Na produção de hormônios esteroides pelo corpo; solubilização de vitaminas lipossolúveis A, D, E e K; como isolante térmico; compondo a bainha de mielina do sistema nervoso, dentre outras.  Para todas essas funções, inclusive para manter a adequada fluidez das membranas celulares, o organismo utiliza-se de lipídeos produzidos internamente (endógenos) e daqueles oriundos da alimentação, sendo mais do que provado que a qualidade da gordura ingerida é absolutamente essencial para se evitar doenças.

MITOS E VERDADES:
 
De modo pouco científico, se divulgam falácias como procedimentos que promovem eliminação da gordura de forma natural, pelas fezes ou urina (pasmem!).
A quebra de gordura pelos procedimentos estéticos de fato é possível, e trata-se de processo de hidrólise dos triglicerídeos (processo dependente de enzimas), o que é totalmente diferente da queima  de gordura (beta-oxidação de ácidos graxos), que é dependente de processos metabólicos mitocondriais (estimulados pela necessidade energética, como, por exemplo, por exercícios físicos, preferencialmente os aeróbicos – mas não só eles – ).

Se não houver a queima, existe grande probabilidade da gordura quebrada no tratamento estético se “reagrupar” e ser redepositada no mesmo ou em outro adipócito (Paciente estaria, nesse caso, jogando seu dinheiro fora ).
 
Ótimos resultados só são obtidos quando há COMPROMETIMENTO DO PACIENTE, tanto com o tratamento estético, como em se disciplinar a fazer exercícios físicos orientados de forma regular e dietas com nutricionistas.
 
Exercitar-se em jejum, apesar de ser atitude difundida nas academias, não é saudável, correndo o risco de comprometer a saúde do paciente, ocasionar desmaios, cetose, além de fadigar o organismo precocemente.

Vale lembrar ainda que para que haja queima (beta oxidação) de gordura, há a necessidade de existir uma mínima concentração de açúcar / carboidratos (glicose) no sangue, que, geralmente, encontra-se baixa após o jejum prolongado e é a primeira fonte energética a ser usada nos exercícios físicos.

O sistema nervoso central (Cérebro) só utiliza glicose como energia, e não lipídeos; mais um motivo para se manter a glicemia em níveis adequados.

Quanto à eliminação (excreção) da gordura via urina, devemos entender que isso não ocorre pois o rim saudável não permite eliminação de macromoléculas na urina. Após uma drenagem linfática, por exemplo, o que se elimina é o inchaço (edema), composto por líquidos e toxinas.
 
O único local do sistema linfático que transporta lipídeos (gordura) é a cisterna do Quilo, local posterior à aorta abdominal, próximo ao intestino, relacionado à absorção de ácidos graxos (produto da digestão das gorduras) provenientes da ingestão alimentar antes dos mesmos ganharem a corrente sanguínea venosa.

Muitos alegam ainda que após a quebra da gordura, a porção livre desta é direcionada ao fígado, onde é produzida a Bile (que não é uma enzima), e, posteriormente, já fazendo parte da Bile, que é armazenada na vesícula biliar, seria finalmente eliminada no duodeno (a primeira porção do intestino delgado), para ajudar as enzimas na digestão das refeições. Assim, parte dela seguiria misturada aos alimentos não absorvidos (que formarão o bolo fecal no intestino grosso) e, finalmente, sairia pelas fezes. Todavia, tal argumentação também carece de fundamento visto que a imensa maioria da bile (e sais biliares) é reaproveitada por sofrer reabsorção através da circulação êntero-hepática.

A gordura que eventualmente sai nas fezes (esteatorréia) é proveniente da ingestão exagerada e da fração não absorvida da mesma (dieta hiperlipídica), de sinais indicativos de patologias do sistema digestório ou ainda pela ação de fármacos inibidores reversíveis das lipases locais (ação somente no lúmen gastrointestinal), como o Xenical (Orlistate). Nesse último caso, sem a ação completa das enzimas lipases, a gordura não é digerida e, consequentemente, não é absorvida. Tais medicações devem ser utilizadas em casos extremos e sempre orientado por um médico e farmacêutico.